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Manutenção de painéis solares: quando limpar e quanto perde se não o fizer

Um painel sujo não avisa, apenas produz menos. Quando lavar, como se lava sem danificar o vidro e como perceber se o seu sistema está a perder rendimento.

Equipa Brook · · 6 min de leitura
Técnico a fazer a manutenção de um sistema de painéis solares num telhado

Um sistema fotovoltaico é das instalações mais discretas que pode ter em casa. Não faz barulho, não pede nada e trabalha vinte e cinco anos. É precisamente por isso que quase ninguém repara quando começa a render menos. Não há alarme, não há avaria, não há sinal. Há apenas uma fatura da luz que devia ter descido mais.

Este guia explica o que perde um sistema sem manutenção, com que frequência se deve lavar os painéis, como se lava sem estragar o vidro e o que mais se verifica numa revisão a sério.

O que se perde, em números

A sujidade acumulada é a causa mais comum de perda de produção num sistema saudável. Consoante o local, a inclinação do telhado e a época do ano, um conjunto de painéis por lavar pode ficar entre 5% e 20% abaixo da produção que devia dar.

Vale a pena traduzir isso. Num sistema doméstico de 5 kWp no Norte, que produz à volta de 7.000 kWh por ano, uma perda de 10% são 700 kWh por ano que deixou de aproveitar. Aos preços atuais da eletricidade, é dinheiro suficiente para pagar várias vezes a lavagem que não fez.

Há um pormenor que agrava tudo isto: as células de um painel estão ligadas em série. Uma sombra localizada, nem que seja uma faixa de sujidade acumulada na aresta inferior, não penaliza só aquela zona. Penaliza a corrente que atravessa a fileira inteira. É por isso que uma pequena mancha pode ter um efeito desproporcionado.

”Mas a chuva não lava os painéis?”

Lava uma parte. A chuva arrasta o pó solto, e num inverno chuvoso do Minho isso já é alguma coisa.

O que a chuva não faz é tirar aquilo que fica agarrado: pólen, resíduos de aves, poeira de obras, fuligem, gordura de zonas industriais e, com o tempo, líquenes. E como os painéis estão inclinados, a água escorre e deposita o que traz na borda inferior de cada painel, mesmo junto ao caixilho. Forma-se ali uma linha escura, fina, que passa despercebida do chão e que faz sombra exatamente sobre a primeira fila de células.

É a razão pela qual sistemas em zonas de muita chuva continuam a precisar de lavagem.

Com que frequência

Para a maioria das casas do Norte, uma lavagem por ano resolve. O melhor momento é no fim do inverno ou no início da primavera, para o sistema entrar limpo nos meses de maior produção.

Duas lavagens por ano compensam se estiver perto de:

  • zonas agrícolas com muito pó ou queimas
  • obras em curso nas imediações
  • pinhal, que deixa resinas e pólen
  • estradas com tráfego pesado
  • indústria com emissões

Também vale a pena antecipar a lavagem depois de episódios pontuais, como uma poeira do deserto, cada vez mais frequente nos últimos anos, que deixa uma película fina e uniforme em todo o telhado.

Como se lava sem estragar nada

Se decidir tratar disto por sua conta, e sobretudo se o sistema estiver ao nível do solo ou numa cobertura segura e com acesso próprio, há regras que não se contornam:

O que fazer

  • lavar de manhã cedo ou ao fim da tarde, com o painel frio
  • usar água desmineralizada ou, no mínimo, água com pouco calcário
  • usar escova macia de cerdas naturais ou rodo de silicone, sempre com o painel bem molhado
  • trabalhar sempre no sentido do escoamento

O que nunca fazer

  • lavar a meio do dia, com o vidro quente ao sol. O choque térmico pode fissurar o vidro temperado
  • usar máquina de alta pressão. A pressão força a entrada de água pelos vedantes e é uma das causas mais caras de avaria
  • usar detergentes agressivos, abrasivos, esfregões ou raspadores
  • subir ao telhado sem equipamento de segurança e sem alguém consigo

Esta última merece ênfase. A maioria dos acidentes domésticos graves associados a painéis solares não tem nada a ver com eletricidade, tem a ver com quedas em telhados molhados. Se o sistema está numa cobertura inclinada, contrate quem tem equipamento para lá estar.

Lavar é metade do trabalho

Uma revisão que se limite ao vidro fica a meio caminho. O que mais interessa verificar, e que só se vê com o sistema à frente:

O inversor. É o cérebro da instalação e o primeiro a acusar problemas. Interessa ler o histórico de produção por série, os alarmes registados e a curva de um dia de sol pleno. Uma fileira que produz consistentemente menos do que a sua igual é um problema a acontecer.

As ligações e proteções. Conectores a oxidar, isolamentos ressequidos pelo sol, disjuntores e descarregadores de sobretensão. É aqui que moram os riscos verdadeiros.

A estrutura. Fixações, calhas e vedações de telhado. O vento e a dilatação térmica trabalham as ligações mecânicas todos os dias durante anos.

A comparação com o esperado. Este é o teste que resume tudo o resto: a produção deste mês contra o mesmo mês do ano passado, e contra a estimativa inicial. Se tem os números do simulador solar da altura em que instalou, é essa a sua régua.

Como perceber, hoje, se está a perder produção

Não precisa de esperar pela visita. Abra a aplicação do seu inversor e compare a produção mensal com o mesmo mês do ano anterior. Uma quebra de 3% a 5% pode ser apenas um ano com menos sol. Uma quebra consistente de 10% ou mais, repetida em vários meses, tem sempre uma causa: sujidade, sombreamento novo de uma árvore que cresceu, um painel com defeito ou um problema numa fileira.

Se não tem histórico ou não consegue aceder à aplicação, isso já é, por si, o primeiro item da lista a resolver. Um sistema sem monitorização acessível é um sistema que só dá notícias quando para.

E o ar condicionado, já agora

Vale a mesma lógica, por razões diferentes. No ar condicionado a manutenção não protege sobretudo a produção, protege o consumo e o ar que respira. Filtros e permutadores obstruídos obrigam a máquina a trabalhar mais tempo para chegar à mesma temperatura, e o circuito de refrigeração, sendo fechado, não devia perder gás nenhum. Se perdeu, há uma fuga a reparar antes de recarregar.

Por ser a mesma visita e a mesma equipa, faz sentido tratar dos dois no mesmo contrato. É por isso que juntámos tudo na página de manutenção de painéis solares e ar condicionado.

A conta simples

Uma lavagem anual e uma revisão custam uma fração do que vale a produção que recupera, e muito menos do que custa um inversor substituído fora de garantia por falta de histórico de manutenção. A maioria dos fabricantes exige prova de manutenção periódica para assumir garantias, e essa é a parte que só se descobre quando já é tarde.

Se tem painéis instalados há mais de um ano e nunca fez revisão, é boa altura. Também fazemos manutenção de sistemas instalados por outras empresas, em Guimarães, Braga e no resto do Norte. Fale connosco e diga-nos o que tem instalado e há quanto tempo.

Próximo passo

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