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Guias

Baterias solares: vale a pena guardar a energia que produz?

Quando a bateria compensa mesmo, que tamanho faz sentido para a sua casa, o que é preciso para ter luz durante um apagão e os erros que fazem gastar dinheiro a mais.

Equipa Brook · · 6 min de leitura
Inversor híbrido e baterias instalados pela Brook Energy

Há uma pergunta que aparece sempre, mais cedo ou mais tarde, em casa de quem já tem painéis solares: e se guardasse esta energia toda em vez de a dar à rede?

A resposta honesta é que depende. Depende de uma coisa concreta e mensurável, que é o seu horário. Este guia explica quando a bateria compensa, quando não compensa, que tamanho faz sentido e o que é mesmo preciso para a casa continuar com luz quando a rede falha.

O desencontro que a bateria resolve

Os painéis produzem em campânula, com o pico à volta do meio-dia. O consumo de uma casa portuguesa faz o contrário: um pouco de manhã, muito pouco durante o dia e um pico grande entre as sete e as onze da noite, quando toda a gente chega, cozinha, aquece água e liga tudo ao mesmo tempo.

Se está em casa durante o dia, esse desencontro é pequeno e o sistema já aproveita quase tudo o que produz. Uma bateria acrescenta pouco.

Se sai de manhã e volta ao fim do dia, o desencontro é a regra. Está a entregar à rede a energia produzida a meio do dia e a comprá-la de volta ao serão, e a diferença de preço entre essas duas transações não é pequena: o que recebe por injetar excedente é uma fração do que paga por consumir. É esta diferença que a bateria captura.

Quando compensa e quando não compensa

Compensa quando:

  • a casa está vazia durante o dia e cheia à noite
  • tem consumos noturnos significativos: bomba de calor, termoacumulador, máquinas em programa nocturno, carro elétrico a carregar em casa
  • o seu sistema solar já está a injetar bastante excedente na rede todos os meses
  • vive numa zona com falhas de rede frequentes e quer resolver isso ao mesmo tempo

Compensa menos quando:

  • passa o dia em casa e já consome quase tudo o que produz
  • o sistema solar é pequeno e raramente sobra energia
  • os seus consumos são maioritariamente diurnos, como acontece em muitos negócios

Antes de decidir, há um número que vale mais do que qualquer simulação: a energia que injetou na rede nos últimos doze meses. Está no histórico do seu inversor e nas faturas. Se injetou pouco, a bateria vai passar a maior parte do ano com pouco para fazer.

Que tamanho faz sentido

A regra prática é dimensionar para cobrir o consumo entre o pôr do sol e a manhã seguinte. Em casas portuguesas, isso costuma cair entre 5 e 10 kWh úteis.

  • 5 kWh. Casal ou casa pequena com consumo concentrado ao serão. Cobre iluminação, cozinha, entretenimento e equipamentos em espera.
  • 10 kWh. Família com máquinas a trabalhar à noite, bomba de calor ou carro a carregar. É o tamanho mais equilibrado entre custo e autonomia.
  • 15 kWh ou mais. Moradias grandes, piscina aquecida, negócios com frio permanente.

Nos dois sentidos há desperdício. Uma bateria demasiado grande passa o ano sem nunca encher nem descarregar por completo, e o custo extra nunca se paga. Uma bateria pequena demais esgota-se às dez da noite e obriga a ir buscar à rede exatamente na hora mais cara.

Repare ainda numa distinção que aparece nas fichas técnicas: capacidade nominal e capacidade útil não são a mesma coisa. É a útil que interessa comparar entre propostas.

Backup: a parte que gera mais desilusões

Existe uma ideia instalada de que ter baterias significa ter luz quando falta luz. Não é automático, e é a origem da desilusão mais comum neste mercado.

Para a casa continuar a funcionar durante uma falha de rede são precisas três coisas ao mesmo tempo:

  1. Um inversor híbrido com saída de backup. Muitos inversores apenas gerem bateria para autoconsumo e desligam-se, por segurança e por norma, quando a rede cai.
  2. Um quadro elétrico preparado. Os circuitos essenciais, como frigorífico, iluminação, internet, alarme e bomba de água, têm de estar separados do resto da casa. Sem essa separação, a bateria tenta alimentar a casa inteira, incluindo o forno e a placa, e esgota-se em minutos.
  3. Bateria dimensionada para as horas que quer aguentar. Autonomia é uma escolha, não uma característica do equipamento.

Se o backup é importante para si, diga-o logo na primeira conversa. Muda o equipamento a escolher e muda a instalação elétrica. Acrescentar backup depois é sempre mais caro do que prevê-lo à partida.

Quanto duram e que garantia têm

As baterias residenciais atuais são quase todas de lítio ferro fosfato, mais conhecidas por LFP. São a química mais estável e mais segura das disponíveis, e suportam vários milhares de ciclos completos de carga e descarga.

Na prática doméstica, em que se faz aproximadamente um ciclo por dia, isso traduz-se tipicamente em 10 a 15 anos de vida útil. As garantias de fabricante costumam ser de 10 anos, com uma capacidade mínima garantida no fim do período, normalmente perto de 70% da inicial.

Manutenção quase não têm: não há peças móveis nem líquidos para repor. O que interessa é acompanhar a saúde da bateria e os alarmes do inversor, e isso entra na revisão anual do sistema.

Já tenho painéis. Posso acrescentar baterias?

Muitas vezes sim, e a resposta está no seu inversor.

Se já for um inversor híbrido, tem entrada para bateria e o trabalho resume-se a acrescentar o módulo, a proteção e a configuração. Se for um inversor apenas de rede, existem soluções de retrofit com um segundo equipamento dedicado à bateria, o que funciona bem mas encarece o conjunto.

Para saber em que caso está, basta uma fotografia da chapa de características do inversor. É literalmente essa a informação de que precisamos para lhe dar uma resposta certa.

Os erros que custam dinheiro

  • Comprar capacidade a olho. Sem olhar ao consumo noturno real, a probabilidade de errar o tamanho é grande.
  • Assumir que dá backup. Confirme por escrito, no orçamento, se a solução mantém circuitos em falha de rede e quais.
  • Comparar preços sem comparar capacidade útil. Duas propostas com o mesmo número à frente podem entregar energia bem diferente.
  • Esquecer o espaço e a temperatura. As baterias precisam de local ventilado, ao abrigo de calor extremo e acessível para assistência.
  • Instalar bateria antes de corrigir o resto. Se ainda paga uma tarifa desajustada, rever o tarifário é mais barato e imediato do que qualquer equipamento.

Em resumo

A bateria não é um acessório do sistema solar, é uma decisão separada, com uma conta própria. Compensa a quem produz de dia e vive à noite, e compensa mais ainda a quem quer resolver falhas de rede ao mesmo tempo.

Se ainda não tem painéis, comece pelo simulador solar para perceber a dimensão do sistema. Se já tem, mande-nos uma fotografia do inversor e a última fatura: dizemos-lhe se a bateria compensa no seu caso, que tamanho faz sentido e se a sua instalação permite backup. Tudo isso está explicado na página de baterias solares e backup.

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