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Guias

Como ler a sua fatura de eletricidade portuguesa

Guia prático para perceber cada linha da fatura: energia, redes, taxas e impostos. Onde está a perder dinheiro sem saber e quando vale mudar de tarifário.

Equipa Brook · · 4 min de leitura
Fatura de eletricidade em análise sobre uma secretária

A fatura de eletricidade portuguesa parece propositadamente confusa. Termos técnicos, siglas, dezenas de linhas. Mas decifrá-la é o primeiro passo para perceber se está a pagar a mais, e quanto.

A anatomia: quem fatura o quê

Em Portugal, a fatura de eletricidade junta serviços de três entidades distintas, mesmo que pareça vir de uma só:

  1. A comercializadora (EDP Comercial, Galp Power, Iberdrola, Endesa, Goldenergy, etc.), vende-lhe a energia. Esta é a única parte que pode escolher e mudar.
  2. O operador da rede (E-Redes em quase todo o continente), gere os fios e os contadores. Custo regulado, igual para toda a gente.
  3. O Estado, IVA, taxa audiovisual, contribuição extraordinária. Não negociável.

Quando vê a sua fatura mensal, está a olhar para a soma destes três. Só pode otimizar o primeiro.

Os componentes principais

Numa fatura típica vai encontrar:

Energia consumida

Multiplicação dos kWh consumidos pela tarifa contratada. Aqui é onde mora a maior parte do valor variável (~50–60% da fatura num consumo médio). Em tarifa simples paga sempre o mesmo €/kWh. Em tarifa bi-horária paga menos à noite e fim de semana. Em tri-horária há também um período “ponta” caríssimo.

Potência contratada

Pagamento fixo mensal pela “ligação”, independentemente de consumir muito ou pouco. Quanto maior a potência, maior o custo. Pagar potência a mais é o erro mais comum. Se contratou 6,9 kVA mas raramente passa dos 4 kVA em pico, está a pagar gordura.

Acesso às redes

Custo regulado pago à E-Redes pelo uso da infraestrutura. ~15–20% da fatura. Não pode escolher nem reduzir, mas é importante saber que existe.

Taxa de exploração da DGEG

Taxa pequena (cêntimos por mês). Reguladora.

Contribuição audiovisual (RTP)

Contribuição mensal fixa para o serviço público de televisão. Aparece em todas as faturas independentemente do consumo.

IVA

Atualmente 6% sobre potência contratada até 6,9 kVA e energia até X kWh, 13% sobre energia adicional, 23% nos restantes serviços. A reforma do IVA da eletricidade muda anualmente, vale a pena reler a fatura se notar valores diferentes em meses parecidos.

Os pontos onde está a perder dinheiro sem saber

1. Tarifário desadequado ao seu padrão

Se está em tarifa simples mas trabalha durante o dia (consumo concentrado à noite e fim de semana), bi-horária poupa entre 8% e 15% sem mudar nada na vida.

2. Potência contratada superior ao necessário

Reduzir de 6,9 kVA para 5,75 kVA pode poupar 3–5 €/mês (≈40–60 €/ano) se nunca usou os 6,9.

3. Tarifa fixa há mais de 12 meses

O mercado liberalizado mexe muito. Se assinou com uma comercializadora e nunca mais reviu, há grande hipótese de haver oferta mais barata para o mesmo consumo. Verificar a cada 12–18 meses é razoável.

4. Equipamentos antigos a consumir em standby

Caldeira a gás antiga, frigorífico classe C, máquina de lavar A, AC tradicional. Não vê na fatura, mas o consumo cumulativo pesa. Numa casa T3 de 1995, modernizar 3 equipamentos pode reduzir 200–400 €/ano.

Quando vale mudar de tarifário

Mudar comercializadora é gratuito, demora 2–3 semanas, e não corta o fornecimento durante a transição. Mas só vale a pena se a poupança projetada for >5% da fatura anual.

Para isso, precisa de comparar não apenas o €/kWh, mas também:

  • Custos fixos da potência contratada
  • Existência de fidelização (1, 2 ou 3 anos)
  • Custos extras de cancelamento
  • Reembolsos por excedente solar (se aplicável)

Quando vale produzir a sua própria energia

Independentemente do tarifário, há um ponto a partir do qual mudar comercializadora deixa de ser suficiente, está a pagar 0,18–0,22 €/kWh quando podia pagar 0,03–0,06 €/kWh com painéis solares próprios. Pode simular a sua poupança em 60 segundos.

A regra de dedo: se a sua fatura mensal média é superior a 60–70 €, painéis solares fazem sentido financeiro mesmo no cenário pessimista. Se é superior a 100 €, é praticamente um erro não os ter.

Em resumo

Pegue na sua última fatura e procure três coisas:

  1. Qual é a potência contratada? (cabeçalho)
  2. Está em tarifa simples, bi-horária ou tri-horária? (descritivo)
  3. Qual o €/kWh atual? (ou divida o total da energia pelos kWh consumidos)

Com isto já tem 80% do diagnóstico. Os outros 20%, ciclo horário ideal, oportunidade de autoconsumo, comparação de tarifários, vamos buscar nós, gratuitamente, na análise gratuita da sua fatura. Basta enviar uma fatura recente.

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